Prestes a completar 91 anos escritora lança seu segundo livro

José Augusto Cabral | Leopoldina - 28/07/2018 - 10:40 | Atualizado: 28/09/2018 - 16:13

Autora de “Meu Querido Flamboyant”, a Senhora Neusa Ribeiro Abreu é destaque da noite deste sábado no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, em Leopoldina.


Reedição do seu primeiro livro, “Opúsculo”, lançado em 2009, a obra “Meu Querido Flamboyant” traz 24 novas poesias.

Reedição do seu primeiro livro, “Opúsculo”, lançado em 2009, a obra “Meu Querido Flamboyant” traz 24 novas poesias.

Será lançado neste sábado (28) às 18h00 no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, o livro “Meu Querido Flamboyant”, da escritora Neusa Ribeiro Abreu, que completará 91 anos de idade no próximo dia 17 de agosto. Esta semana a reportagem do Jornal O Vigilante foi recebida pela escritora em sua residência, na região Central de Leopoldina, ocasião na qual tivemos a alegria de conhecer sua bonita história de vida, exemplo de determinação e otimismo.

Reedição do seu primeiro livro, “Opúsculo”, lançado em 2009, a obra “Meu Querido Flamboyant” traz 24 novas poesias. “Este livro é uma homenagem à árvore que plantei há muitos anos. Foram sementes que ganhei da minha filha que reside em Brasília. Quando a árvore floresceu, as imediações ficavam enfeitadas, as pessoas adoravam o Flamboyant vermelho, e eu também, porque eu a havia plantado. Então eu narro nesta poesia a história do Flamboyant desde o momento que o plantamos até o dia que a Diocese mandou cortar as árvores no Bairro Bandeirantes. E eu chorei. É uma homenagem ao meu Flamboyant”, explicou a escritora. 

Outro detalhe da obra que será lançada neste sábado está logo na abertura do livro. Trata-se da poesia intitulada “Quem escreve...”, chamando a atenção da responsabilidade da pessoa que escreve.

Custeado integralmente pela família, Dona Neusa avalia que a produção dos textos levou aproximadamente 9 anos: “Eu não posso precisar quanto tempo levei, mas logo depois do meu primeiro livro, publicado em 2009, eu comecei a escrever o segundo, então temos um período de 9 anos”, informou, para em seguida registrar, com entusiasmo, já ter conquistado três vezes o primeiro lugar e duas vezes o terceiro lugar no Concurso de Poesias de Argirita: “Agora preciso ganhar o segundo lugar naquele concurso”, brincou. 

Dona de uma memória privilegiada, Dona Neusa revela que tem muita facilidade para decorar, recurso que utiliza para memorizar seus textos a serem declamados. “Gostaria de comentar que, apesar de problemas na visão desde a juventude, durante toda minha vida, li muitos livros psicografados por Chico Xavier, todos eles com um português muito perfeito”, mencionou. 

Sobre os textos de sua autoria, a entrevistada esclareceu que gosta de passar para o papel aquilo que sente. “Minhas poesias são mensagens de otimismo. E eu confesso que não tinha a mínima intenção e jamais poderia imaginar que chegasse onde estou, o que pra mim é uma apoteose”, argumentou. 

Trajetória de Vida

Natural de Sereno, distrito de Cataguases, Dona Neusa é a primogênita dos dez filhos do casal Januário Sandoval Ribeiro, ferroviário, e da Senhora Esmeraldina Carvalho Ribeiro, do lar e costureira. 

A família veio para Leopoldina em 1937, quando Dona Neusa tinha 10 anos. Antes, moraram em Cataguases, onde o Sr. Januário foi padeiro. “Entrei na escola em 1934, com sete anos, no então Grupo Escolar Guido Marlieri. Meu pai foi transferido para trabalhar na estação de Vista Alegre, onde fiz o segundo ano. O terceiro ano eu fiz no Km 0 da Ferrovia Leopoldina Vista Alegre, minha professora chamava-se Eurídice Bastos. O meu quarto ano primário foi feito em 1939 no Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, um ensino de muita qualidade. Minha professora, Dona Maria Batista Gadas, esposa do Sr. Jorge Gadas, era uma professora maravilhosa”, contou a escritora, realçando a qualidade do ensino daquela época. 

Em 1940, aos 13 anos, Dona Neuza começou a trabalhar na antiga fábrica de tecidos de Leopoldina. Nesse ínterim, seu pai foi transferido para Miraí, onde ficou 3 anos. Com a experiência adquirida na fábrica, a família mudou-se para Miraí, vindo a tocar o primeiro tear da fábrica daquele município, juntamente com uma amiga. “Botamos pra funcionar os primeiros teares. Voltei para Leopoldina e trabalhei novamente na fábrica pelo período de um ano”, relembrou. 

No dia 1 de julho de 1945, aos 18 anos, foi contratada para trabalhar no Instituto Martinho Guimarães, cujo dono era o Sr. Joaquim Custódio Guimarães, “um patrão maravilhoso”, destacou Dona Neusa, acrescentando que o Instituto funcionava na Rua Presidente Carlos Luz. “Seu Zequinha Reis, da fábrica, também era um patrão que dava atenção aos operários”, mencionou em seu relato. 

No ano de 1948, casou-se no dia 29 de julho com o Sr. Jorge Abreu, barbeiro. O casal teve 10 filhos: Neusa Maria Abreu e Silva, Eliana Ribeiro Abreu, Marise Ribeiro Abreu Paes, Hiran Jorge Ribeiro Abreu, Nadja Naira Ribeiro Abreu (falecida), Denise Ribeiro Abreu, Silas Ribeiro Abreu, Jorge Luís Ribeiro Abreu, Márcia Ribeiro Abreu e Alan Ribeiro Abreu. O esposo, que trabalhou por muitos anos na Praça da Bandeira, faleceu em 2012. A partir do casamento, Dona Neusa passou a dedicar-se integralmente aos afazeres do lar, dividindo o tempo também com as atividades de costureira, o que contribuía com o orçamento familiar. 

Um dos filhos de Dona Neusa, Hiran Jorge (foto), 62 anos, esteve presente durante a entrevista, que ganhou contornos emocionantes com seu depoimento: “Sou muito grato à minha mãe pela fortaleza que ela é, uma mulher de fibra, dez filhos. Ela lutou a vida toda pela sua família”, declarou, expressando o sentimento da família por ocasião do lançamento do segundo livro da mãe: “A família considera esse um momento de muita alegria e satisfação. Uma mulher que vai fazer 91 anos é um exemplo. Escrever, esse é o prazer de minha mãe. Ela está na ativa e isso nos dá muita alegria. Minha mãe é uma pessoa que venceu, tanto no aspecto intelectual, quanto no familiar”, afirmou.  

Ibraim Rodrigues de Carvalho (foto), amigo da família, entrou em contato com o Jornal O Vigilante, proporcionando-nos realizar a entrevista com Dona Neusa. Ele se emocionou várias vezes durante a entrevista, que acompanhou atentamente: “O que a Dona Neusa passou para seus filhos, chegou até a mim. Agradeço muito”, relatou. 

Na última etapa do encontro, contando também com a presença da filha Denise, a escritora foi solicitada a deixar sua mensagem ao público leitor, ao que prontamente nos transmitiu as seguintes palavras: “A minha mensagem é de poucas palavras e muito simples. Na minha maneira de pensar, se todo o povo fosse honesto, honestidade acima de tudo, o mundo seria muito bom, porque quando existe um povo honesto, um governo todo honesto, o povo não sofreria tanto”, concluiu.

Fonte: Jornal O Vigilante




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