Icone de mensagem contato@ovigilanteonline.com Icone de telefone (32) 991734242

Grupo da UEMG Leopoldina tem projeto aprovado em Congresso no Chile, mas falta apoio para viagem 

O VIGILANTE ONLINE | Cidade - 07/09/2019 - 15:47 | Atualizado: 16/09/2019 - 11:12

As seis acadêmicas do Curso de Pedagogia e uma professora, todas da Unidade Leopoldina da Universidade do Estado de Minas Gerais, enfrentam dificuldades para custear a apresentação do Projeto na Universidad de Playa Ancha (Chile). Além de venderem rifas e lanches para arrecadarem os recursos necessários, foi criada uma ‘Vakinha Virtual’.


Seis acadêmicas do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Unidade Leopoldina, juntamente com uma professora daquela instituição pública de ensino superior, tiveram o Projeto que desenvolvem em Leopoldina aprovado pelo IV Congresso de Extensão Universitária de AUGM (Associación de Universidades Grupo Montevideo), as maiores Universidades do Chile: Universidad de Chile, Universidade de Santiago de Chile, Universidad de Playa Ancha e Universidad de Valparaíso. Este ano o Congresso será realizado naquele país nos dias 4, 5 e 6 de novembro próximo, em Santiago do Chile. 

A reportagem do Jornal O Vigilante Online se reuniu com as acadêmicas e a professora que integram o grupo. As representantes da UEMG e de Leopoldina no Congresso falaram sobre o projeto e incluíram entre suas preocupações o curto período até a viagem, marcada para novembro. Elas revelaram que ainda não conseguiram os R$ 15 mil reais necessários para custear suas participações.

O repórter José Augusto Cabral na sede da UEMG Leopoldina durante a entrevista com a professora e as acadêmicas do Curso de Pedagogia que participam do Projeto. Do 6º período: Sueli Eugênia, Anajadir Morais, Laralice Mendonça e Carolina Lopes; do 2º período: Ariane Chiconeli e Aline Cerqueira, além da Professora Camila Cravo, Dra. em Educação e há 11 anos na UEMG. 

Origem 

O Projeto, que já está sendo aplicado em Leopoldina, nasceu a partir de um edital de bolsa de estudo lançado pela UEMG, foi submetido pelo grupo, sendo contemplado com duas bolsas. “Anajadir e Laralice são as duas alunas bolsistas. As outras quatro alunas são voluntárias”, explicou a professora Camila Cravo (foto), Doutora em Educação, que há 11 anos trabalha na UEMG. 
 
O Projeto

Com o nome “Não, não gostamos de ter medo. Conversando sobre a Violência contra a mulher/menina das Escolas”, o Projeto é levado pelas alunas e a professora para as escolas públicas municipais e estaduais de Leopoldina, onde é feito um trabalho de formação de professores. 

 

Continua depois da publicidade




O programa, que se constitui em três Oficinas em cada escola, já trabalhou com 183 professores em 18 escolas. Para completar a primeira etapa do Projeto ainda serão visitadas outras quatro escolas, com aproximadamente mais 30 professores. 


Conforme descreveram as integrantes do Projeto, para realização das Oficinas são utilizados os horários de reuniões pedagógicas, os quais foram levantados após as participantes do Projeto terem comparecido em todas as escolas para se informarem a respeito dos horários disponíveis, medida que teve como objetivo fazer com que o professor não tivesse a necessidade de sair do seu ambiente de trabalho. 

Dificuldades para a viagem ao Chile

Sem recursos para apresentação do Projeto no Chile, e sem recursos do Estado, as seis alunas e a professora, todas da UEMG Leopoldina, buscam apoio junto à comunidade. “Talvez a Universidade nos ajude, mas será com um valor irrisório, que só viabilizaria a compra de uma passagem.”

O grupo argumenta que a estada ficará num valor razoável, pois ficará em um Hostel (uma espécie de albergue), que é bem econômico. “A questão é nós angariarmos os recursos para as sete passagens aéreas, que ida e volta custam em torno de R$ 15 mil reais”, argumenta uma das estudantes.  

As sete integrantes do grupo já se inscreveram no evento e desde que receberam o aceite do Congresso, no final de agosto, estão trabalhando também com a venda de rifas e lanches, além de adotarem outras iniciativas com o objetivo de arrecadarem os recursos necessários, como a criação de uma ‘Vakinha Virtual’, que pode ser acessada clicando aqui.

As Oficinas

“A primeira Oficina, realizada em todas as escolas públicas de Leopoldina, municipais e estaduais, foi trabalhada em agosto e baseou-se em conceituar o que é violência para as meninas e mulheres. Os professores saíram da primeira Oficina entendendo esse conceito fundamental”, argumentou a professora Camila. 

A segunda Oficina do Projeto será iniciada na segunda semana de setembro nas mesmas escolas, quando será trabalhado ‘como verificar o abuso e a violência’, dando enfoque à violência sexual. “O professor, que é a porta de entrada da detecção, recebe esse aluno e muitas vezes ele não tem um medidor, ele não sabe como comprovar, como averiguar se a criança está sendo violada sexualmente ou não”, esclareceu o grupo. 

“Primeiramente é dado um aparato subjetivo para o professor, porque ele já tem o aparato conceitual que foi dado na primeira Oficina, e um aparato metodológico, porque eles terão um treinamento nessa segunda Oficina para se munir de documentação em relação a esta desconfiança, digamos assim”, explicou a doutora Camila, mencionando durante a entrevista que o professor parte de uma ideia de mudança de comportamento, de somatização, de doença, enfim, uma série de questões que a criança ou o adolescente vão demonstrar e ele consegue, através de uma metodologia empírica, detectar se está havendo ou não. 

Na terceira Oficina, que será aplicada em outubro, o Projeto vai apresentar para o professor os mecanismos. “Vamos mostrar para o professor os mecanismos pelos quais ele pode agir e fazer funcionar a rede protetiva. Dessa forma o professor vai saber o que é violência, como detectar a violência – principalmente a violência sexual, os abusos, as violações, e depois como agir na prática em relação a essa criança”, disse a professora doutora.

As representantes da UEMG Leopoldina no Congresso do Chile contam com o apoio do diretor da Unidade, Professor Doutor Rodrigo Fialho.

De acordo com as informações relatadas à reportagem do jornal O Vigilante Online, depois das três Oficinas será montada uma cartilha explicativa contendo a teoria do Projeto e sua metodologia. “É um projeto de sucesso que já está dando frutos. Os professores já estão entendendo essa linguagem numa outra perspectiva, porque os professores têm muita dificuldade de lidarem com essa realidade, pois eles não foram formados para isso. A formação deles é específica pedagógica”, afirmou a doutora Camila. 

“Se nós conseguirmos mudar a concepção desses professores, que são educadores e não sabem lidar com violência, se o professor conseguir detectar qualquer alteração na criança, ele conseguirá tirar essa criança daquele convívio violento, porque ele vai acionar a rede protetiva e isso gera um retorno social positivo imenso, porque se nada for feito essa criança que é violentada será um ser desajustado, vai precisar de tratamento psiquiátrico, psicológico, ou entrará na drogadição, ou suicida ou terá relacionamentos abusivos no futuro, então existe um encadear de situações que é gravíssimo”, sentenciou a professora. 

O Congresso no Chile

Realizado pela Agência das Universidades Unidas de Montevidéu, o Congresso é uma atividade extensionista. Durante o evento as representantes da UEMG Leopoldina farão a comunicação do projeto e a apresentação de um Artigo, que será publicado no livro dos anais do Congresso, com ISSN, “o que é muito importante para nós, da Academia”, alertou doutora Camila. Ao final da entrevista, as acadêmicas e a professora enfatizaram o alcance do Projeto, com sete profissionais indo às escolas sem custo nenhum para o Estado e apesar disso não conseguem propagá-lo no exterior.

Fonte: Jornal O Vigilante Online




Os comentários são de responsabilidade dos seus autores e não representam a opinião do Jornal O Vigilante Online, que reserva-se o direito de excluir postagens ofensivas, injúrias, xingamentos, ameaças e agressões a quaisquer pessoas.

Logo O Vigilante
Jornal O VIGILANTE ONLINE | HC&P - Copyright © 2009-2019 | Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem autorização
Criado e Desenvolvido por Criado e Desenvolvido por HPMAIS