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Pesquisa de leopoldinense pode ajudar a eliminar manchas de óleo no mar

Por Júlio Cesar Martins | Brasil - 05/11/2019 - 09:52 | Atualizado: 07/11/2019 - 10:03

Pesquisador Edmo Montes desenvolveu emulsões duplas compostas por água, óleo, nutrientes inorgânicos, gelatina e surfactantes durante doutorado na UFV.


Divulgação - Prof. Edmo Montes, do IFCE Camocim
O pesquisador leopoldinense Edmo Montes, Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Ceará (IFCE), campus de Camocim, desenvolveu uma pesquisa que pode ser útil no trabalho de eliminação de manchas de óleo no litoral do Nordeste. Trata-se de emulsões duplas compostas por água, óleo, nutrientes inorgânicos, gelatina e surfactantes durante o doutorado feito por Edmo na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. 


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Em entrevista ao Jornal O Vigilante Online, o Professor Edmo disse que está no IFCE desde abril desse ano, onde é coordenador de Pesquisa e Extensão daquele Instituto Federal de Educação. Ele esclareceu que iniciou seu Mestrado em Viçosa no Ano de 2012 e que ao longo de 4 anos do Mestrado e Doutorado, concluído em 2016, desenvolveu o projeto. 

A emulsão dupla fertilizada – como é chamado o produto – proporciona a biodegradação de óleo no mar por meio da ação de micro-organismos, principalmente as bactérias. Esse tem sido exatamente o maior desafio dos profissionais e dos voluntários que buscam eliminar as manchas de óleo que têm contaminado o mar do Nordeste há mais de 60 dias, gerando riscos à fauna e à flora marinhas, bem como aos banhistas e às equipes envolvidas na operação de limpeza.

“Tanto o óleo presente na lâmina d’água, quanto aquele que permanece em áreas de mangue e incrustado em rochas, que são de difícil acesso e limpeza, podem ser biodegradados ao se empregar a tecnologia. As emulsões possuem afinidade pelo petróleo, visto que sua superfície é hidrofóbica e, portanto, tendem a permanecer aderidas a ele”, explica o pesquisador.

A pesquisa de doutorado foi realizada entre 2014 e 2016 na Ilha da Trindade, situada na costa do Espírito Santo, a cerca de 1200 km de Vitória. Conforme Montes, a busca pelo método justificava-se devido à ilha ser um berçário de espécies biológicas e estar localizada na mesma latitude de onde é extraída boa parte da produção nacional de petróleo. “Ou seja, o produto desenvolvido poderia fazer parte de um possível plano de ação para eventuais acidentes que possam afetar a ilha”, conta ele, lembrando que esse é o exatamente o cenário da tragédia ambiental atual no Nordeste.

O professor Marcos Rogério Tótola, chefe do Laboratório de Biotecnologia e Biodiversidade para o Meio Ambiente da UFV, foi o orientador da pesquisa. A solicitação de patente da emulsão resultante dos experimentos foi depositada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi). Segundo Montes, há viabilidade para produção da solução em larga escala para uso no mar nordestino, porém seria necessário adquirir um agitador do tipo ultra-turrax de maior porte, equipamento hoje indisponível aos pesquisadores.

“Eu me sinto muito feliz por ter conseguido esse produto e talvez ser uma alternativa para solucionar pelo menos em parte esse problema da contaminação com óleo, porém nós da academia paramos por aí, porque nós não temos poder de tomada de decisão. Então seria interessante que órgãos governamentais que atuam de fato na área pudessem subsidiar um teste de campo pioneiro, para que a tecnologia fosse de fato aplicada", concluiu Edmo.

Fonte: Jornal O Vigilante Online com informações do IFCE / Ícaro Joathan - Reitoria




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