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O que deveríamos estar discutindo sobre o pré-sal

Orlando Macedo | Artigo - 31/10/2017 - 18:18 | Atualizado: 31/10/2017 - 16:18

Por Orlando Macedo


Esta semana voltaram à tona as discussões sobre o pré-sal. Como todos os assuntos discutidos no país hoje, da política externa a receitas de macarrão, o assunto foi polarizado entre direita e esquerda. O que aparece no discurso de ambos é que há uma falta generalizada do conhecimento global do assunto. E que há uma grande falta de criatividade para discutir verdadeiras soluções para o problema.

Enquanto as manchetes maiores destacavam a privatização do pré-sal, surgia nas notas de pé de página do noticiário internacional a notícia de que a França também estará mudando sua matriz de energia de mobilidade para a eletricidade. Com ela já temos 5 países que anunciaram oficialmente planos para acabar com o combustível fóssil entre 2020 e 2050. Entre eles a China. Para vocês terem ideia do tamanho da China, ela tem a produção de 14% de todos os veículos do mundo. Somando-se a Alemanha, só esses três representam um quarto da fabricação mundial. E muitos outros países são esperados nesse grupo. Em termos de montadoras, a Toyota, a Mercedes, a Tesla, a Renault, a Honda, todas já têm veículos elétricos operacionais a preços justificáveis no mercado.

A Man LatinAmerica (que ainda conhecemos como Volkswagen Caminhões) lançou na Fenatran deste ano um caminhão elétrico. Para nosso orgulho, produzido totalmente pela Engenharia da montadora no Brasil onde me orgulho de ter muitos amigos. A virada não vai acontecer do dia para noite. Em 2016 o mundo atingiu a marca de 1 bilhão de veículos. Portanto, teremos aí um espaço de mais 10 a 20 anos de transição. Mas esta transição acontecerá com impactos importantes no mundo. Quando os países mais ricos começarem a ter veículos elétricos, o preço do petróleo começará a cair. Além disso, os veículos a combustão ficarão mais caros, pois perderão espaço de mercado. Os blocos mais pobres serão então obrigados a migrar mais rápido para a matriz elétrica. E assim a transição sofrerá uma aceleração final. Percebem o buraco que estamos nos metendo ao discutir o pré-sal? É um investimento sem futuro. Alguns países já passaram por isso.

A Noruega, por exemplo, tinha grandes reservas de petróleo e um planejamento futuro. Ao invés de reinvestir em petróleo o dinheiro ganho, reinvestiu em energias alternativas. Hoje exporta energia para a Europa. A solução para o pré-sal não passa por discussões ideológicas. É uma questão séria. A solução passa por uma venda ou uma exploração rápida. Mas com o dinheiro reinvestido em commodities de futuro. Por exemplo, exportamos terras raras, utilizadas na tecnologia de processamento, a preços irrisórios. Temos capacidade de produzir tecnologia própria de veículos elétricos, vamos investir.

O Brasil tem terra e gente capazes. Mas para andar temos que abandonar o embate político e ter a nossa frente pessoas com capacidade de planejar para nos levar ao nosso lugar de direito no cenário mundial.

Fonte: O VIGILANTE ONLINE




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