Alberto Levy, o 'criador de sonhos' brasileiro que funde arte e tecnologia

Artigo - 10/02/2018 - 18:08:47 | Atualizado: 10/02/2018 - 18:41:52


Orlando Macedo:
“Todos sabem que gosto muito da cidade de Leopoldina e a vejo como uma tela em branco para construirmos uma grande cidade. Minha ideia de trazer a tradução deste artigo é inspirar empreendedores, estudantes e todos aqueles que querem tornar nossa cidade melhor. O texto é grande, mas inspirador. Vale o tempo. Boa leitura a todos!”
 

A primeira vez que Alberto Levy (foto) tocou em um teclado de computador tinha 11 anos. Foi um presente de seus pais e lembra que gerou nele sentimentos contrários. “Meus três irmãos e eu estávamos felizes, mas sabíamos do grande esforço econômico que significava este computador para a família”. Esse pensamento o mudou por completo e combinou com seu irmão mais velho que seria a primeira e última vez que permitiriam a seus pais um presente tão caro.

“Estudamos programação de forma autodidata e oferecemos nossos serviços no Rio de Janeiro. Os clientes desconfiavam de nossa idade, assim oferecíamos um mês de teste grátis e depois começávamos a cobrar”, afirma para a IberoEconomia o atual expert em inovação tecnológica. Um jovem negócio que encontrou uma grande aceitação permitindo a Alberto ter até 4 computadores em casa com somente 13 anos.

Mais adiante começou a graduação em Engenharia de Computação, onde descobriu a paixão pela realidade virtual. Seus primeiros passos nesta área se materializaram na TV Globo, ao criar seu primeiro ambiente virtual: um museu cibernético que permitia andar pelas galerias de forma digital. Sem dúvida, o reconhecimento internacional chegou com a inovadora plataforma que desenhou para a Copa do Mundo de 1998, que permitia recriar as jogadas em 3D apenas 32 minutos depois de serem transmitidas.

Diante do desejo de dar mais estética e sentido artístico às suas criações, Levy rumou para os Estados Unidos para cursar o Mestrado em Telecomunicações Interativas na Universidade de Nova York. “Foi uma etapa emocionante na qual acabei por expor no MOMA, assim como controlar as telas da Times Square com um celular. Surgiram oportunidades para desenvolver projetos apaixonantes”, afirma. Mas também reconhece que foi um período de grandes desafios econômicos e pessoais.

“Não tinha dinheiro para pagar os estudos na Universidade. Vendi todos os meus pertences, mas só me permitiam cobrir os gastos dos primeiros 6 meses, então tive que pedir um empréstimo e trabalhar na própria Universidade ganhando uns 12 dólares por hora”, admite Alberto. Mas estes esforços não seriam em vão. “Havia me esforçado muito e sabia que poderia fazer muito mais, tinha que me destacar”, explica.

Em apenas 3 meses cumpriu seu objetivo, quando a Universidade viu a otimização dos processos que Levy havia implantado com respeito a acesso e licença dos estudantes. Ante ao desejo de captar e reter o talento, a instituição acadêmica começou os trâmites para solicitar uma bolsa integral para seus estudos e manutenção. A aprovação no Senado dos Estados Unidos permitiu que a recebesse inesperadamente. “Um representante da Universidade apareceu e, desculpando-se pela demora, me entregou uma carta. Eu não sabia do que se tratava, mas dentro desta carta estava a documentação da bolsa aprovada”, lembra.

Redescobrindo o México

Após os atentados terroristas de 11 de setembro, Levy reconhece que o ambiente de Nova York havia mudado drasticamente. “Foi uma etapa de muita dor e comoção, que coincidiu com o convite de um amigo para criar uma empresa de tecnologia e entretenimento no México. A princípio a ideia não me entusiasmava, mas quando visitei o país fiquei totalmente cativado”, assegura. Assim nasceu a Media Innovation, a empresa que em Janeiro de 2012 fechou um contrato com a Nestlé por um valor de 200.000 dólares e que, após 4 anos de sua fundação, contava com 400 empregados e um faturamento anual de 100 milhões de dólares.

O potencial da Companhia permitiu ao brasileiro conseguir o patrocínio de grandes multinacionais como a GM, Google, Yahoo!, Televisa, Coca-Cola, Toyota e American Express. “Foi uma época que realizamos projetos de parques temáticos, sistemas para aeroportos, eventos com o Governo do México durante as celebrações de suas festas nacionais e até 9000 ativações anuais, contando com uma equipe de 50 criativos”, relembra.

Como o nadador que sabe a hora de parar, Levy decidiu começar do zero. “Pedi demissão e comecei a trabalhar em outros projetos próprios, onde mais que empregados, tive sócios com os quais dividia as ideias e iniciativas que iam surgindo”. Graças a esta época pude desenvolver projetos criativos para a Emirates, The Voice, Kelloggs, Microsoft, Scotiabank, AXE, Nespresso e Bacardi, entre outros.

Além disso, Alberto Levy desenvolveu, simultaneamente, projetos artísticos como “A nuvem dos desejos”, recentemente exposta no Espaço Fundação Telefônica de Madri, chegando a impactar mais de 30.000 pessoas. A esta exposição se soma seu “Eletroencefalograma”, que é capaz de converter de forma instantâneas os pensamentos e emoções em arte, tendo uma grande aceitação nos nove países onde foi apresentado, assim como perante as autoridades do Governo da Itália. Tudo isso sem esquecer as conferências que profere ao redor do mundo, sendo palestrante habitual na Universidade de Harvard e um dos Assessores do Foro Econômico Mundial.

Madri, seu novo lugar

Desde 2015 Levy encontrou em Madri seu novo lugar. Uma cidade que escolheu, entre outros motivos, pela sua segurança, localização, cultura, inovação e sistema de educação. A capital da Espanha se converteu no espaço ideal para combinar todas as suas facetas, essas que também incluem assessorias a Startups, assim como o apoio da associação de empresas para a promoção de soluções muito mais completas e globalizadas.

A receptividade da cidade foi absoluta e Levy compartilhará sua experiência durante a conferência “Descobrindo o mundo das instalações Interativas”, que acontecerá no Espaço Fundação Telefônica de Madri entre 23 e 25 de Fevereiro.

Quando pensa no futuro, um de seus grandes sonhos é ser bilionário. “Mas não daqueles que alcança esta soma de dinheiro em suas contas bancárias, e sim daqueles que mudam a vida de um bilhão de pessoas com cada um de seus projetos e soluções”. De modo que está trabalhando em um ‘hub’ que fomenta a inovação aberta “para atacar os problemas do mundo” e que contará com a participação do Real Madrid, Repsol, BBVA, Telefónica e Gás Natural Fenosa, entre outras empresas.

Levy afirma estar convencido que um mundo diferente é possível. Umas palavras que mudam imediatamente seu olhar e tem o mesmo brilho que há em meninos a sonhar. E no fundo segue sendo o mesmo menino de 11 anos que pede desejos a sua própria “Nuvem de Sonhos”


Fonte: Giuseppe Plantania, da publicação Iberoeconomía de 11/01/2018

Autor: Orlando Macedo


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