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O legado da crise de 1929 na economia atual 

Davi Navarro Carneiro | Artigo - 22/05/2018 - 14:15 | Atualizado: 04/06/2018 - 21:09

Por Davi Navarro Carneiro*

A famosa Grande Depressão, a crise que os economistas e historiadores dizem ter como culpado o capitalismo. Essa informação, a priori, está tão errada quanto falar que os EUA nos anos 20 e posteriores à depressão eram capitalistas. 

Primeiro como de fato ocorreu a crise de 29 e quais foram suas causas. Nos séculos anteriores ao XX, os Estados Unidos era de fato um país livre e capitalista, tendo passado por poucas e pequenas resseções. Contudo esse cenário mudou depois de 1913, ano em que o governo americano criou o FED (Federal Reserve), algo como o Banco Central. O Estado passou a controlar a economia e assim o capitalismo de livre mercado já não era tão real no país estadunidense.

Controlando a economia, o governo conseguia controlar a quantidade de crédito disponível, e assim entramos no maior debate de teorias econômicas da história. De um lado temos Keynes que defendia o dinheiro como algo semelhante à fé, e que o Estado devia criá-lo para aquecer a economia. De outro há Hayek, economista da Escola Austríaca, que defendia que o dinheiro era um produto que obedecia às leis econômicas como qualquer outro. A história nos mostra Hayek como certo, porém a política monetária dos EUA foi mais para o lado de Keynes, ou seja, se tornou keynesiana. 

O governo estadunidense passou a literalmente imprimir mais dinheiro através do FED, só que como Hayek explicara, a moeda é um produto, e os produtos obedecem às leis econômicas, inclusive a famosa Lei de Oferta e Demanda. E é exatamente isso que aconteceu. Com maior oferta de capital, o valor dele diminuiu, o que gerou inflação e uma bolha. Isso resultou em uma crise totalmente esquecida em 1921. Algo interessante já que o desemprego nesse ano chegou aos 12% e a economia caiu em 17%. 
Só que o presidente Warren G. Harding não tentou corrigir a crise, na verdade ele diminuiu o Estado e deixou o mercado mais livre, o que fez a economia já estar totalmente recuperada já em 1923. Contudo o FED, pelo resto da década, resolveu injetar ainda mais dinheiro na economia, o que criou uma segunda bolha, essa maior que a primeira, e que conseguiu ser empurrada até 1929, quando ela finalmente estourou. 

Mas como o governo consegue imprimir dinheiro? E como isso gera uma crise? O governo imprime dinheiro através da manipulação da taxa de juros. Ele diminui os juros para os bancos conseguirem fazer mais empréstimos e com isso o governo, através da reserva bancária fracionada (algo que ocorre no Brasil também), injeta mais crédito na economia. Como há mais capital, o valor dele cai, oferta e demanda básica. Isso faz com que seja preciso mais dinheiro para comprar a mesma quantidade de produtos que se podia comprar antes com menos, ou seja, isso gera inflação. Vale ressaltar que inflação não é o aumento de preços em si, e sim o aumento de capital. Inflação é uma consequência, a segunda é uma bolha. 

Os juros são o preço do dinheiro. Se a economia está bem, se um empréstimo tem grandes pouquíssimas chances de ser caloteado por ter uma finalidade interessante economicamente e que tem demanda, o juro será baixo. Todavia, se a chance de calote for alta e a finalidade do empréstimo não for tão boa, os juros dos bancos sobem. Em resumo é dessa maneira que o sistema funciona, ou pelo menos deveria. Porque com Bancos Centrais isso não ocorre livremente, o governo consegue manipular essa taxa para injetar crédito. Só que quando isso ocorre os empresários não conseguem saber rapidamente, há alguns indicativos, mas são extremamente difíceis de detectar. Então a maioria deles ao ver os juros baixando acreditam que a economia está boa e que é viável realizar empréstimos para fazer investimentos. Só que, por ser uma queda artificial, ela não reflete a real situação. Então os investimentos são feitos, mas não há demanda por eles. O que houve foi uma distorção no mercado. E os investimentos vão sendo feitos, e assim a bolha vai sendo criada. Até que eventualmente os empresários percebem que não tem demanda, a empresa fica com um estoque enorme, normalmente quebra, caloteia o banco, esse banco pode gerar um efeito dominó e de calotes em outros bancos, e assim a bolha está estourada e a crise enfim chegou.

Esse esquema é a famosa Teoria de Ciclos Econômicos da Escola Austríaca de Economia, a mais famosa teoria austríaca e talvez a única que consiga explicar realmente como acontece uma bolha econômica. 

Assim foi em 1929. O FED reduziu os juros para 3,5%. Isso fez qualquer especulador conseguir tirar um empréstimo para comprar uma ação e vendê-la mais cara depois. Isso criou a famosa bolha na bolsa americana durante os anos 20. Contudo, o Federal Reserve, em 1928, resolveu finalmente acabar com a festa, e aumentou os juros de 3,5% para 5%.  Isso paralisou toda a febre especulativa e a economia se estagnou. Até que em 29 de outubro de 1929, na famosa terça-feira negra, a bolsa caiu 12% e tem-se o início oficial da crise de 1929. O porquê dessa queda ter sido exatamente nesse dia é que nessa data circulou a notícia que o presidente Hoover iria adotar a tarifa Smoot-Hawley, que aumentaria as tarifas de importação em milhares de produtos e poderia gerar uma guerra comercial. Então os investidores que sobraram decidiram retirar seu dinheiro e ir embora dos Estados Unidos com medo de diminuir a liberdade econômica. 

Essa crise, se o presidente tivesse feito nada como em 1921, duraria pouco tempo, só que o governo resolveu interferir no mercado, o que aumentou a depressão em uns 15 anos. Hoover acreditava que conseguia controlar a economia, isso, como qualquer economista austríaco sabe, é impossível. Ele fez várias intervenções que estenderam a crise. 

Então veio o New Deal. Roosevelt decidiu também interferir na economia, só que de maneira grave, mexendo nos salários. Roosevelt com o New Deal fez várias ações (muitas delas impedidas pelo próprio governo por serem inconstitucionais), mas uma delas foi a principal causa por fazer a Grande Depressão ter sido a pior da história. Frank Delano Roosevelt decidiu impor um salário mínimo. Quando se aumenta por lei os salários, quem não produz o tanto da quantia que aumentou acaba ficando desempregado, e foi isso que ocorreu. Milhares de pessoas perderam o emprego por causa do New Deal, e isso durou bastante tempo. 

A Crise de 1929 só veio a acabar durante a Segunda Guerra quando os EUA entraram na guerra e assim precisaram liberar a economia pra ter dinheiro circulando nela e assim melhorá-la para produzir armas. Como podemos ver o capitalismo não teve nada a ver com a crise, na realidade foi a falta dele. A depressão ocorreu graças ao keynesianismo e à vontade de políticos de intervirem na economia. 

E qual o legado dessa crise para a economia atual? O que ocorre hoje de parecido com 1929? O que o FED faz hoje em dia? Isso veremos semana que vem, na continuação desse artigo.  

*Davi Navarro Carneiro – Aluno do 2º do Ensino Médio do Colégio Imaculada Conceição, estudante de economia da Escola Austríaca pela MisesUniversity 2018 do MisesInstitute e investidor em criptomoedas.

Fonte: O VIGILANTE ONLINE




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