O Legado da Crise de 1929 – Parte II

Davi Navarro Carneiro | Artigo - 10/06/2018 - 10:27 | Atualizado: 18/06/2018 - 08:41

Agora que vimos como aconteceu a crise de 1929 e como ocorre um ciclo econômico, vamos aos dias atuais. 

Atualmente os Estados Unidos estão na maior bolha econômica de sua história. O FED conseguiu, em 10 anos, sustentar 0,5% de juros e vem por esse mesmo tempo imprimindo mais e mais crédito. Só que há um fator a mais na economia americana: a dívida. A dívida estadunidense é de 21 trilhões de dólares. 

Só que dessa vez não é apenas os EUA que enfrentam uma massiva bolha econômica, mas a União Europeia também. E a situação na Europa está tão devastadora quanto. O Banco Central Europeu vem desde 2008 operando com juros de 0%, ou seja, desde a crise de 2008 a Europa vem criando dinheiro e sustentando sua economia nisso.  

China e Japão, como se não bastasse, também estão na mesma situação. O Japão, diga-se de passagem, chegou a ter sua taxa de juros a -1%. Literalmente uma economia zumbi. 

Juntando-se bancos centrais e quanto eles imprimiram no mundo inteiro, o resultado é esse:



E o que se pode esperar de tudo isso é uma grande crise econômica, e já há fortes indícios de que ela está bem próxima. Um indicativo é a Taxa Libor que disparou violentamente nos últimos dias. Taxa Libor é a taxa que um banco cobra de outro, ou seja, quando ela sobe, significa que há mais chances de um banco calotear o outro. Há também o CDS, que é a aposta contra a economia, quando se há previsão de uma eventual crise, os CDS sobem. E eles dispararam nos últimos meses. 

O título longo americano bateu 3% ao ano, mesmo sendo considerado um “título sem risco”. Ou seja, está acontecendo uma forte “puxada” de capital, várias moedas estão se desvalorizando em relação ao dólar, e como não há dinheiro, isso pode causar várias fraquezas bancárias na China, Japão, Hong Kong, Europa e até Brasil. Isso é o que está influenciando a alta no dólar nas últimas semanas. E alguns países, como a Argentina, por exemplo, acabam queimando sua reserva de dólar para tentar segurar essa alta, só que caso a reserva do país acabe, ele eventualmente quebra. Esse é o maior medo da Argentina hoje. Porque se o dólar não parar de subir e ela continuar a queimar seu estoque, ela pode quebrar. 

O fato é que o  juros americanos (juros de título de dívida de dez anos, como se fosse o Tesouro Direto Brasileiro) só tendem a subir, porque o déficit efetivo dos EUA foi revelado ser de 1.8 trilhões de dólares, isso é uma pressão de capital gigantesca. 1.8 tri de dólares é quase o PIB brasileiro por ano! Então o juro vai ter que subir pra compensar isso, e não é a toa que o juro de título de dez anos subiu de 2.8 para 3 em dias. Isso está começando a ficar explosivo. O TED spread em novembro estava .25, hoje está .6. Basicamente é o mesmo cenário de meses antes da crise de 2008.  
E recentemente o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, falou que o mercado chegou no topo de ganhos e a partir de agora só vai cair. Somando também ao fato de que há previsão de queda de no mínimo 30% no mercado.  Algo assustador, porque os números estão muito parecidos com os de 2007.  

Outro ponto é a China. Ela, que também influencia demais nisso tudo, criou 3.2 trilhões de dólares em 2017. Esse dinheiro é equivalente a todo crédito criado no mundo somado. Isso foi uma dobrada de criação de crédito em relação a 2016, em que ela criou 1.6 tri em crédito. Ou seja, para manter a situação atual teria que ser criado em 2018, 6.4 trilhões. O que não vai acontecer. Essa injeção de liquidez levantou as bolsas, que também sofreu influência do corte de impostos feito pelo Donald Trump nos EUA, o que retardou um pouco o crash. Mas o efeito já passou, e como em toda crise, sempre há uma pequena subida antes da grande explosão pra baixo. 

Uma crise é inevitável. E tudo leva a crer que ela seja pior do que 2008 ou até mesmo 1929. E não vai demorar muito pro crash acontecer. O que se pode tirar de conclusão disso, o legado da crise de 29, é que Bancos Centrais não devem controlar a economia, o Estado não deve intervir. Quando governos intervêm, crises acontecem.  

A economia não pode ser controlada, apenas a livre interação entre pessoas, ou seja, o capitalismo, consegue gerar riqueza e prosperidade econômica. Criar dinheiro não gera nada disso, pelo contrário, apenas destrói.  Deve-se deixar o livre mercado operar. 
Davi Navarro Carneiro – Aluno do 2º do Ensino Médio do Colégio Imaculada Conceição, estudante de economia da Escola Austríaca pela MisesUniversity 2018 do MisesInstitute e investidor em criptomoedas.
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