Liberdade de Expressão não tem preço 

Júlio Cesar Martins - Fundador do Jornal O Vigilante | Artigo - 18/07/2018 - 20:25 | Atualizado: 26/07/2018 - 12:14

Júlio Cesar Martins

Júlio Cesar Martins

Caros leitores e leitoras, nesta quarta-feira (18), comuniquei através da Rádio Jornal de Leopoldina, minha decisão de não mais participar do programa Jornal da Cidade, que é levado ao ar de segunda à sexta-feira por aquela emissora. Creio que devo esclarecer a motivação desta decisão, em respeito ao grande público que acompanha nossa atuação através do Rádio, mas principalmente em respeito aos leitores do Jornal O Vigilante, veículo de comunicação que fundei no ano de 1993, cujo portal de notícias na internet merece a consideração diária de milhares de leitores, além das pessoas que leem nossa mensal edição impressa.

É preciso relembrar que no programa Jornal da Cidade de terça-feira, após comentar superficialmente a respeito da reunião extraordinária da Câmara de Vereadores ocorrida na última segunda-feira, na qual um pedido de suplementação orçamentária feito pelo Prefeito de Leopoldina não foi aprovado, sugeri aos colegas de bancada, Luiz Carlos Montenari e Jairo Fernandes, que convidássemos alguns vereadores para que no programa desta quarta o assunto fosse debatido. Prontamente aceita a sugestão, iniciei os contatos com os vereadores, tanto os que compõem a base do Prefeito na Câmara, quanto os de oposição, convidando-os para a entrevista.

Cabe destacar que alguns vereadores que apóiam o Prefeito, os quais votaram pela aprovação do referido Projeto de Lei da suplementação, não poderiam participar da entrevista, segundo explicações obtidas junto aos vereadores Rogério Campos Machado (Líder do Prefeito) que se encontrava em Juiz de Fora e Waldair Costa – que estaria em outro compromisso anteriormente agendado. Rogério também justificou que entrara em contato com a vereadora Kélvia e o vereador Elvécio, mas ambos também tinham compromissos naquele horário. Confirmaram presença na entrevista o Presidente da Câmara, Pastor Darci Portela e o vereador José Ferraz, que votaram contra a suplementação orçamentária.

Ao chegar à emissora para participar do Jornal da Cidade, fui informado pelo diretor Antônio Ferreira, que aquela seria a última vez que vereadores participariam de programas ou entrevistas na Rádio Jornal, justificando a decisão pelo fato dos mesmos não pagarem nada à emissora para terem direito ao espaço. Surpreso, ponderei que aquele comportamento apequenava a emissora, que sempre teve grande conceito jornalístico no seio da comunidade de Leopoldina. Disse que respeitava a decisão da direção, mas que não aceitaria me submeter ao que defini como CENSURA. 

Claramente constrangido, dirigi-me ao Studio, e na presença do Presidente do Poder Legislativo Municipal, Pastor Darci, do vereador Dr. José Ferraz e dos radialistas Luiz Carlos Montenari e Jairo Fernandes, que já apresentavam aquela edição do Jornal da Cidade, cumprimentei a todos, no ar, e reproduzi resumidamente o que havia ocorrido há alguns instantes, desculpando-me com os convidados por não mais realizar a entrevista que havia marcado e comunicando aos ouvintes a minha saída do programa, colocando ponto final na parceria que desde o início de 2017 existia entre o Jornal O Vigilante, a Rádio Jornal e eu. Cabe aqui esclarecer que neste período abri mão de qualquer tipo de pagamento salarial. 

Saí do Studio e me retirei das dependências da emissora. O fiz com Vergonha. Vergonha de ver o que considerei como um gesto de Censura partindo de uma emissora de Rádio da minha cidade. Vergonha ao perceber que alguns incautos poderiam estar felizes com o ocorrido comigo e com os convidados, o Presidente do Poder Legislativo Municipal e um vereador. Vergonha ao observar a decepção do decano do Rádio de Leopoldina que é Luiz Carlos Montenari e do meu fraterno amigo Jairo Fernandes, outra referência do Rádio. 

Me decepcionei com a interferência em algo sagrado como a liberdade de imprensa, o que certamente afeta no direito ao contraditório. A Constituição de 1988 assegura a liberdade de expressão, e sem liberdade de imprensa não há Democracia plena. O fato me impactou, pois partiu de uma emissora de Rádio, um veículo de comunicação cuja concessão é outorgada pela União. Imaginem, se um Juiz de Direito ou o Chefe do Poder Executivo fossem informados que para participar de uma entrevista através da Rádio, fossem alertados que só poderiam utilizar aquele espaço se pagassem por ele? Certamente isso deverá acontecer, porque senão ficará ainda mais explicitada a Censura ao Legislativo local. 

Deveriam sentir vergonha os que são contra a pluralidade de opiniões, independente de ser da direita, centro ou esquerda. Vergonha eu sinto ao ver a vitimização buscada por setores da política local, de maneira teatral, dividindo a sociedade entre “nós” e “eles”, “situação” e “oposição”, “amigos do Prefeito” e “adversários do Prefeito”. 

Nosso trabalho no meio jornalístico sempre se pautou pela verdade. O Jornal O Vigilante tem o seguinte princípio: “Nós não vendemos notícia, nós vendemos publicidade.” Portanto, hoje saio do rádio (rádio com letra minúscula), mas o faço de cabeça erguida e a consciência tranqüila. Não me curvarei à Censura, sob qualquer justificativa. A Vergonha que sinto, deveria ser a Vergonha de todos.




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