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E tem mais, o amor falou: Vida sem amor é um grito parado no ar

Colunista Social - Luciana Ferreira Neder | Artigo - 25/08/2018 - 08:18 | Atualizado: 04/09/2018 - 20:56

Artigo publicado na edição impressa de junho/2018 do Jornal O Vigilante.

Reflexão: é inverno, tempo que ficamos mais introspectivos. Tempo de costurar o que necessita de restauro e de separar o que pode ser doado. Tempo que somos mais solidários com quem não tem uma casa quentinha, sopa e agasalho. Tempo que até os animais recolhem-se, ursos diminuem o seu processo metabólico e hibernam, enquanto beija-flores voam para regiões mais quentes. Já na natureza, o tempo nos prepara maravilhas. Se eu fosse uma árvore eu seria um ipê e não saberia qual cor escolher entre o amarelo, rosa ou branco. Mas tendo que escolher, seria o ipê rosa, cor do amor. Lembrei do meu primeiro artigo escrito a um jornal na época de faculdade e acabo de me dar conta da minha versão colunista desde então. Falei de amor, baseado no livro de Brian Weiss, cujo título é “Só o amor é real.” Ele disse: o amor sobrevive às condições mais adversas, ao solo mais gelado... Concordo, embora muitos jogam o amor para o alto na primeira adversidade. E tem mais: vida sem amor é um grito parado no ar. Interessante é o que acontece ao autêntico ipê: árvore alta, casca grossa, bem copada e de madeira de lei resistente. No período da floração ele apresenta uma peculiaridade: fica totalmente desprovido de folhas e dá lugar ás flores. Thoreau, filósofo e poeta, historiador que amava a natureza, especialmente os ipês, escreveu que Deus perguntou ás arvores do mundo: quem quer colorir o inverno? Ninguém queria. Todas preferiam a primavera. Até que uma árvore, humildemente se candidatou. Deus disse: corajosa você! Qual seu nome? Me chamo Ipê. Alegro-me em fazer coisas ao contrário. As outras árvores fazem o que é normal e abrem-se para o amor na primavera, quando o clima é ameno e o verão está para chegar, com seu calor e chuvas. As árvores ficaram espantadas com o ipê e Deus disse: você fará amor justo quando o inverno chegar e sua copa será florida e de muitas cores.  E assim é o ipê, triunfante. E diante dessa atmosfera romântica, das obras de Deus sobre os seres humanos, os animais e a natureza, os movimentos do ipê seriam compostos por Vivaldi, Mozart e o coral de Bach. Pois a vida e o amor seguem juntos enquanto corações pulsarem no peito e estão presentes no nosso dia a dia, até numa flor que desabrocha. Um convite: visite ipês. Quem sabe um dos caminhos da arte de ser feliz está em florir no inverno.       




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