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O dia em que eu contei para as crianças que Papai Noel existe

Por Orlando Macedo | Artigo - 22/12/2018 - 17:16 | Atualizado: 22/12/2018 - 17:11

Eu achei que tinha chegado a hora por causa das cartinhas. Na verdade a gente nunca sabe o momento certo, mesmo agora confesso que guardo pra mim algumas dúvidas. Mas uma cartinha dizia claramente Hoverboard (logicamente, fora de qualquer planejamento orçamentário), a outra uma bola e um gift card (outro parêntesis, nenhuma pessoa da minha idade entende que um gift card é um presente desejado). Mas não foram só as cartinhas.

- Raphael, além do presente da cartinha do Papai Noel, o que você quer ganhar de Natal?
- Nada. Vocês me dão tudo durante o ano. Deixa que o Papai Noel dá o Hoverboard.
- Mas não é meio caro?
- Ué, ele não tem uma fábrica de brinquedos? Você se preocupa tanto que até parece seu dinheiro. E o Natal é para curtir a família, não pra ganhar presente.
- Rapha, dar um presente significa que a gente reconhece que vocês foram bons meninos este ano.
- Mas ter a festa de Natal não é exatamente pra isso?

Com o outro não foi diferente:

- Gui, você pediu dois presentes na sua cartinha. Vou dar o que o Papai Noel não der. 
- Mas Papai, deixa ele dar os dois. Aí você não precisa se preocupar com dinheiro de presente.

Confabulei com a Márcia, mas sem muita solução...

A caminho do trabalho surgiu a ideia. Começos da maneira desesperada que todo pai e mãe enfrentam nessa época. Contar significa acabar com um sonho infantil, não contar vai gerar a frustração de presentes impossíveis... Mas...

A Márcia não concordou muito. Mas, no fundo, esse talvez fosse o melhor caminho: contar que Papai Noel existe!!!

- Rapha, Gui, o que o Natal representa pra vocês?
- Estar com a família, comemorar junto...
- E Papai Noel? 
- Ele que traz os presentes.
- Então hoje eu vou contar pra vocês uma coisa especial. Mas é preciso que vocês acreditem. Vocês sabem que eu acredito em Papai Noel, não sabem?
- Sabemos, outro dia você falou isso para nossos coleguinhas.
- Só que ele não traz os presentes. Os presentes quem dá somos eu e a Mamãe. Mas mesmo assim eu ganhei muita coisa dele.

O Gui, que já andava desconfiado não deu muita bola. O Rapha, com os olhos cheio de lágrimas, veio se aconchegar no meu colo.

- Eu queria muito que ele existisse.
- Mas quem disse que ele não existe?
- Não são vocês que trazem os presentes?
- Sim, mas acreditar em Papai Noel sempre me trouxe coisas boas. Por exemplo, a mãe de vocês. Quantas pessoas existem no mundo? 7 bilhões? E qual a chance de eu conhecer exatamente ela, que morava a 800 km de mim? Só quem acredita consegue as coisas. Por isso eu sempre ganhei muitas coisas.
- Mas Mamãe, você era mais pobre, ganhava menos presentes...
- E eu nunca deixei de acreditar. Tanto que hoje tenho os dois melhores presentes da minha vida, um magrelinho e um cabelinho vermelho.
- Rapha e Gui, o Natal é uma época especial. No hemisfério norte, é quando temos as noites mais longas. Por isso enfeitamos as árvores com luzes. 

E aí, aos poucos, fui contando várias histórias sobre o Natal. Sobre as velas de Hanukkah, sobre as maçãs douradas dos druidas, sobre os Reis Magos, sobre os costumes romanos de trazer ramos pra dentro de casa em homenagem a Saturno. E chegamos a conclusão que tanta gente, de tantas culturas e lugares diferentes ter rituais de luz e renascimento ao mesmo tempo só pode ser um milagre. Esse é o milagre do Papai Noel, que celebramos todo ano, cada um de sua forma, mas sempre trazendo luz e Natal pra dentro de cada casa.
E, após pedir uma mesa com Peru e enfeites, tomarmos sorvete e montarmos a árvore, fomos agraciados com um:

- Papai, Mamãe, agora que sei de tudo esse já é o Natal mais especial da minha vida!!!

Um feliz Natal a todos!!!




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