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Brasileirinho

Por Orlando Macedo | Artigo - 01/02/2019 - 11:31 | Atualizado: 01/02/2019 - 10:43

Nem bem o dia amanhece e os pés com chinelos vão chegando. O organizador ainda não acordou, mas isso não é muito importante. Vão se organizando em grupos maiores e menores. Tirando os chinelos e o assunto das rodas de conversa, não é possível montar um padrão definido. São várias idades, cores, gêneros, uma aquarela perfeita cobrindo todas as possibilidades de espectro. Não havendo a palavra democracia sido inventada, ela certamente nasceria ali naquela praça.

Logo o organizador desta maravilhosa bagunça sai de casa. Um papel amassado na mão dá o enredo do dia. É impossível contar ou saber se todos os meninos estão ali, por isso a procissão segue para o campo, os únicos materiais são um conjunto de garrafas d´água emprestados e uma bola que já teve dias melhores. A algazarra lembra pássaros se acomodando no ocaso.

O campo de jogo pode ser chamado assim pois existem duas traves. Não necessariamente iguais ou paralelas. A grade, cheia de buracos, o chão, cheio de terra, mostra o descaso que as gravatas têm pelos chinelos. Sei lá, talvez muita alegria incomode quem está no poder.

A ordem da rodada é definida pelos meninos que lá já estão. Ao longo do dia muitos outros vão chegar. Os times se postam em campo. Os uniformes só podem ser chamados assim por conterem o mesmo símbolo e, de vez em quando, o mesmo nome de craque estampado atrás. Tirando isso, nem as cores combinam. Uniforme sequer são os atletas, cujas idades variam de 9 a 18 anos.

Mas mesmo assim eles jogam. E, por algumas horas, eles são os donos do universo do futebol. Há canetas, jogadas épicas, gols, defesas, tudo que os melhores campeonatos do mundo podem proporcionar. Tudo? Não, não tudo. Não tem juiz. Não tem brigas. E os risos e os choros das emoções do jogo são visceralmente verdadeiros. Se os Deuses do futebol olhassem para lá naquele momento, extinguiriam todo o resto e declarariam que aquilo sim é futebol.

Mas tudo que é bom em algum momento tem um fim. Não, isso não é triste, senão, como sentiríamos saudades? Com o fim das férias, o campeonato chega ao fim. Apenas quatro se classificam para libertadores, mas isso não é problema. Nas próximas férias, em julho, os uniformes são redivididos, um de cada jeito, para grandes e pequenos. E novamente os chinelos chegarão a pracinha para novos dias de futebol e Glória.

Ítalo, tenho certeza de que você não tem ideia do quão importante é seu Campeonato para os meninos e meninas de Leopoldina. Obrigado por ser esse menino crescido que traz sorrisos para nossas crianças de Leopoldina.




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