O Brasil e suas 'tragédias'

Por Júlio Cabral | Artigo - 10/02/2019 - 11:31 | Atualizado: 10/02/2019 - 10:43


Todo mundo sabe o real significado da palavra tragédia, ultimamente verificada de uma forma bastante rotineira no cotidiano do brasileiro. Também com sentido e sentimento aproximado de desastre, adversidade, “azar” e catástrofe, essa última mais utilizada para fenômenos naturais, o que percebemos em nosso país é a incapacidade na prevenção de incidentes que em sua maioria destroem vidas, sonhos e ao final, como as areias do tempo, varrem as expectativas de um povo que luta para não se ver acostumado com a perplexidade. 

O filósofo Aristóteles retratava a tragédia com a finalidade de purgações de emoções, como a compaixão e o terror. Temos visto recentemente um roteiro amargo de omissões que cada vez mais resultam em crimes – tragédias - onde os personagens não têm outra narrativa. 

Ainda pior do que isso, para os expectadores - que somos todos nós – sobram apenas o lamento e a indignação.

Não importam as estatísticas gerais, os laudos sintomáticos, as experiências vividas em tão pouco tempo, o brasileiro parece ter que apanhar na cara a cada desdobramento e a cada fato novo que surge nas manchetes dos jornais. 

Quando pensamos que não há nada pior que possa acontecer, acordamos numa bela manhã e nos damos conta que sim, existe. Sempre existe. 

O Brasil aparenta ter entrado em uma fase onde os roteiros apenas mudam os personagens para que o nosso histórico de incompetência aponte com dedo firme e sujo, às vezes de lama, nossa real incapacidade de possuirmos condutas que não estabeleçam tristeza e vergonha para todos. 

Ainda pior do que isso, esses roteiros são sempre os mesmos. Parece que estamos fadados a aprendermos apenas com o colapso e algumas vezes nem mesmo assim. Ficamos à espera de punições e penalidades, que nunca se manifestam de forma consistente e rígida.

Os interesses passam à frente e o tempo, esse sim, não perdoa e perpetua as marcas em todos que sofrem com tantas tragédias em nosso país.

Fonte: Jornal O Vigilante




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