Ciclista pagador de promessa que percorre o Brasil e outros países desde 1991 passa por Leopoldina

Por Júlio Cesar Martins | Leopoldina - 05/03/2019 - 11:19 | Atualizado: 07/03/2019 - 12:32

"Neguinho do Asfalto", como é conhecido, prometeu viajar de bicicleta durante 30 anos, prazo que termina em fevereiro de 2022.


Para se alimentar e se cuidar, Neguinho do Asfalto conta com o apoio de grupos de ciclistas, restaurantes e postos de combustíveis.

Ele está nas estradas desde 1º de fevereiro de 1991, pedalando pelo Brasil e por vários países, cumprindo uma promessa que ele fez após voltar a enxergar e a andar. Este é o começo do relato de Antônio Rogério do Nascimento, 41 anos de idade, mais conhecido como “Neguinho do Asfalto”. Natural de Corumbá – MS, ele está de passagem por Leopoldina, onde fez uma parada por volta das 16h00 desta segunda-feira de carnaval para descansar e dormir. 

A chegada do ciclista pagador de promessa sul-mato-grossense na cidade chamou a atenção do operador de caixa do Restaurante Estação Sabor de Minas, Wesley, no Posto Puris, localizado no Km 776 da BR-116. A reportagem do Jornal O Vigilante Online esteve no local para registrar a passagem de Neguinho do Asfalto e o entrevistou. 

Narrando detalhes de sua história, Neguinho do Asfalto esclareceu: “Eu era cego e paralítico. Minha mãe, Maria das Graças do Nascimento, morreu no parto e eu fiquei até os 10 anos internado no hospital”, relatou o Neguinho do Asfalto. Outro drama em sua vida ocorreu quando seu pai, Roberto Santos do Nascimento, se matou quando ele, Antônio Rogério tinha 8 anos de idade. “Meus pais eram irmãos”, revelou, acrescentando que sem ter conseguido estudar, levou adiante a promessa e começou a pedalar, passando pela Bolívia, Venezuela, Equador, Peru, Colômbia, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Guiana Francesa, Panamá, Guatemala, São Domingos, São Caetano – México, onde a embaixada pagou a passagem de avião para Angola. De lá seguiu para Moçambique, Luanda, Senegal, Haiti, Gana e Congo. “Agora estou voltando, vou para o Canadá”, disse o ciclista, esclarecendo que veio pela Argentina e saiu em Foz do Iguaçu.   

Ele mencionou que é solteiro, tem duas irmãs, um tio e uma avó, que residem em Corumbá, e confirmou o que tem relatado pelo Brasil e em vários países em milhares de entrevistas que estão na internet. “Comecei a viajar pelo Brasil em uma bicicleta aos 14 anos de idade. Fiz uma promessa que se eu voltasse a enxergar e caminhar eu iria rodar 30 anos de bicicleta”, explicou Antônio Rogério, já apresentando uma expressão de cansaço devido à viagem que iniciou às 02h00 da madrugada em Volta Redonda, até Leopoldina.   

Orgulho de ser brasileiro, sempre levando a bandeira do Brasil. 

Ao longo de 28 anos, Neguinho do Asfalto contabiliza que já teve 10 bicicletas, além de ter gasto uma grande quantidade de pneus, câmaras de ar e pares de tênis. Para se alimentar e se cuidar, Neguinho do Asfalto conta com o apoio de grupos de ciclistas, restaurantes e postos de combustíveis. 

A esta altura da entrevista, caminhoneiros, funcionários do Posto e do Restaurante, motoristas, dentre outras pessoas próximas estavam atentos ouvindo as histórias e detalhes da vida do Neguinho do Asfalto. Conforme ele mesmo sugeriu: “São várias reportagens e vídeos que estão na internet, no YouTube, feitos comigo pela imprensa.” Sobre pedalar durante o dia ou noite o ciclista ressaltou que prefere a madrugada e que quando está descansado, roda 18 ou 19 horas.  

Indagado sobre o que fará depois de cumprir a promessa e parar de viajar de bicicleta, o que está previsto para o dia 8 de fevereiro de 2022, Neguinho do Asfalto, que possui uma coletânea de reportagens e fotos dos locais que passou, antecipou que está escrevendo um diário de sua via viagem. 




Dentre as situações que enfrentou nestas quase três décadas de aventuras, Neguinho do Asfalto revela que na Argentina alguns policiais teriam queimado a bandeira do Brasil que leva com orgulho em sua bicicleta. “Eles amarraram minhas mãos e meus pés e me deram uma garrafa de 600 ml de óleo queimado pra beber. Falaram que lugar de ‘macaquito’ era no Brasil. Fiquei 3 meses internado, tive que fazer uma cirurgia e depois a embaixada (do Brasil) conseguiu me atravessar na fronteira e vim para o Brasil. Foi em Córdoba, há 9 meses”, detalhou. Em Mossoró, no Rio Grande do Norte, Antônio diz que tomou tiro e facada: “Me roubaram uma bicicleta que eu tinha.” Outro caso aconteceu em Alfenas: “Tomei uma coronhada na cabeça e levaram outra bicicleta”, descreveu. Sobre as dificuldades da viagem ele contou que no deserto, mesmo com um dinheirinho, por 300 ou 400 Km não se acha nada pra comer. 
 
De Leopoldina o ciclista seguirá para a Bahia, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza, “e vou descendo para o Maranhão, Tocantins, Piauí, Pará, e depois subo”, comunicou. 
 

Personagem de uma grande demonstração de fé, Neguinho do Asfalto deixou uma mensagem ao público: “As pessoas deveriam ser mais religiosas. Não rezam nem pra agradecer a Deus o prato de comida. Algumas pessoas esqueceram a fé em Deus, por isso que o mundo está assim”, arrematou. 

Ao final da entrevista, Neguinho do Asfalto informou o número de seu celular: (027) 992040700, e convidou para acessarem reportagens feitas com ele que estão no YouTube. “Em todos os países por onde passei tem entrevistas comigo”, concluiu. 

José Alcino - frentista do Posto Puris, Wesley - operador de caixa do restaurante Estação Sabor de Minas e Antônio Rogério, o "Neguinho do Asfalto", em Leopoldina.



Fonte: Jornal O Vigilante



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